ANO VIII - JANEIRO/FEVEREIRO 2008

Informativo do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo Filiado à FIA E FIA-LA.

 

CAPA

Décimo Cetated reúne Novatos e Veteranos


Profissionalismo, amor à arte e disposição para o diálogo foram os fatores predominantes no X CETATED. A platéia, na foto ao lado, participou dos debates. (Página 4 e 5)

 

Superações e muita luta - Mulheres mostram sua força (Página 7)

Conhecendo o SUS (Página 6)

 

 

Fórum Social Mundial


Com intervenções artísticas e um stand muito visitado, o Sated/SP participou do “Sábado-Feira”, a atividade desenvolvida no âmbito do Fórum Social Mundial. Ao lado, o Senador Suplicy com o nosso pessoal. (Página 3)

 

 

PAGINA 2

EDITORIAL

A função dos Sindicatos

Lígia de Paula Souza*

 

O País retoma seu ritmo e, nós, retomamos nossa conversa. Aliás, tarefa que cumpro com o maior prazer pois, através desse cantinho, relações são reatadas, dúvidas são esclarecidas. Por exemplo, recentemente alguns colegas (não sei se elogiando ou criticando), comentaram que eu era muito exigente com as companhias e empresas. Que bom que pensem isto! Afinal, o Sindicato existe para exigir. Se não, vejamos:

Por definição, os sindicatos são entidades através das quais os trabalhadores se reúnem para promover, defender, reivindicar e negociar – com seus empregadores – melhores salários, férias, licenças, jornadas, carreiras, abonos e outros benefícios. Em resumo, os sindicatos são o mais importante meio de reivindicação dos segmentos que aglutinam e o principal meio de negociação da categoria. Portanto, posso, como pessoa, discordar de conceitos, práticas e outros procedimentos. Mas, como presidenta do SATED, tenho de cumprir e exigir o cumprimento da lei que regulamentou a nossa profissão e que está em plena vigência.

Ora, se esta lei preconiza que a profissão (ator, técnico, modelo, manequim, dublador, enfim, todos os segmentos que representamos) somente pode ser exercida por pessoa legalmente capacitada para isto, seja pela conclusão de cursos que o habilitem a esta tarefa ou pela comprovação da prática profissional, o Sindicato não pode fechar os olhos para aquela que seria sua principal função, nem que sejamos rotulados de corporativistas. Aliás, preferimos sermos taxados de corporativismo a sermos “agraciados” com a pecha de “colaboracionismo”.

Quanto à intransigência com os empresários, isto nos soa como elogio, pois é isto que os colegas esperam de nós, que lutemos para que se cumpra todas as cláusulas estabelecidas nos acordos que negociamos, sem que isto nos impeça de mantermos um bom relacionamento com os empregadores que vêm em nós um elo dessa grande corrente que se chama economia cultural, de artes e entretenimentos. E esta deveria ser a atitude de todos os colegas. Um grande abraço a todos e acompanhem nossos informes pois, este ano, com a ajuda de Deus e dos colegas, queremos concretizar muitos de nossos projetos. Um forte abraço.

*Ligia de Paula Souza – Presidenta do Sated/SP

 

 

Brasil perde Luiz Carlos Tourinho

O ator Luiz Carlos Tourinho, de 43 anos, faleceu na manhã do dia 21 de janeiro, vítima de um aneurisma cerebral, e foi sepultado no mesmo dia em Niterói, RJ. Ele tinha sido internado durante a madrugada no Hospital de Clínicas de Niterói, com uma parada cardiorrespiratória e não reagiu às tentativas de reanimação, segundo boletim médico. Tourinho ficou famoso na TV interpretando o personagem Franco, no seriado “Sob Nova Direção”, onde contracenava com as atrizes Ingrid Guimarães e Heloisa Perissé, e os atores Luiz Miranda e Otávio Muller. No momento, atuava na novela “Desejo Proibido”, da Rede Globo, interpretando o personagem Nezinho.

 

II Festival de Curtas


Promovido pela Associação Cultural Moinho dell‘Arte, realizar-se-á no período de 17 a 20 de Junho de 2008 o “II Festival de Cinema e Vídeo de Santa Cruz das Palmeiras”. Podem participar filmes e vídeos produzidos ou concluídos no período de janeiro de 2006 a março de 2008, com duração máxima de 15 minutos. As inscrições vão até 18 de abril. O primeiro festival realizado pela cidade paulista de Santa Cruz das Palmeiras foi um sucesso. As fichas de inscrição e regulamento estão disponíveis no site: http://www.moinhodellarte.com/3712/20201.html

 

PAGINA 3

 

Fórum Social Mundial


Milhares de homens e mulheres, integrantes de organizações, redes, movimentos sociais e sindicatos, de todas as partes do mundo, realizaram no dia 26 de janeiro passado um ato global para mostrar que um outro mundo é possível. A ação foi marcada por debates, marchas, encontros, discursos e intervenções culturais que conectaram, simultaneamente, o global e o local, expressando as múltiplas vozes da diversidade mundial. As manifestações ocorreram na mesma data em que, na Suíça, na cidade de Davos, as elites neoliberais promoviam o Fórum Econômico Mundial.

O Fórum Social Mundial é um espaço aberto para movimentos sociais, redes, ONGs, sindicatos, debaterem, democraticamente, idéias e alternativas, formularem propostas, compartilharem experiências e organizarem redes efetivas de ação. Essas organizações da sociedade civil se opõem ao neoliberalismo e às formas de dominação dos países mais ricos.

Desde 2001, quando foi realizado pela primeira vez em Porto Alegre, o Fórum tem se caracterizado como um espaço permanente, com etapas realizadas em todos os continentes. Sua última edição global aconteceu em Nairóbi, capital do Quênia, África. Em 2009 um novo encontro global será realizado, desta vez na cidade de Belém, Pará.

Em São Paulo, foram realizados dois eventos. Nas ruas do centro, ativistas e movimentos sociais realizaram marchas, performances e explicaram ao público o espírito do FSM. No Centro de Eventos do Colégio São Luis, mais de cem instituições, grupos culturais e sindicatos passaram o dia expondo o seu trabalho, visando ao compartilhamento de experiências, idéias e propostas que podem ajudar o mundo.

O SATED participou das reuniões preparatórias de organização do Fórum e, no dia 26, em um stand, comandado pela Diretora Elza Fernandes, assessorada por Cristina Melo, da área de Eventos, expôs camisetas, broches e material que formam o acervo cultural da entidade. Além disso, a Presidenta Lígia Batista de Souza e o Diretor Marcos Pompéia, fizeram uma apresentação com números musicais e leituras de textos de Brecht, performance dirigida pelo Diretor Mario Vaz. Encerraram o número com a leitura de uma carta aberta que reproduzimos na seqüência:

Um Outro Mundo É Possível
Quando o Chaplin fez o seu filme “Tempos Modernos”, em 1936, ou seja, há quase 100 anos, muitos o consideraram um “exagerado e propagador de idéias comunistas”. E o tempo mostrou que os sonhos do cineasta estão muito aquém da realidade que vivemos hoje. As máquinas e tecnologias criadas pelo homem são os seus principais grilhões e, na maioria das vezes, em vez de estarem à serviço de seus criadores, são fontes de escravização e somente servem a uma parcela mínima da população mundial. E outros sonhos sonhados e concretizados por artistas no teatro, cinema ou literatura, que nos transportaram às profundezas do oceano, ao espaço sideral, agora fazem parte do nosso dia-a-dia.

E é por esta sua capacidade de sonhar e criar que o artista acredita profundamente que “Um Outro Mundo é Possível”. Quando ele chora, nas tragédias, chora por toda a humanidade, ao trazer à tona os dramas pessoais e coletivos. Quando ele ri, nas comédias, leva-nos a refletir sobre a nossa pequenez e enche de alegria um cotidiano às vezes amargo e difícil. Quando a sua imaginação alça vôos bem altos, obriga-nos a refletir sobre os problemas que nos cercam e nos apontam diretrizes socialmente justas e factíveis de levarem felicidade ao homem.

É por isto que: Apesar do Aquecimento Global, Da Violência contra os mais Fracos e Oprimidos, Da Ganância que Acentua a desigualdade entre pessoas e povos, o artista acredita e persevera, pois tem certeza que “Um Outro Mundo é Possível”.

Denise Santana Fon

 


PAGINA 4 e 5

Arte no X Cetated

 

Os dias 21 e 22 de Dezembro passado marcaram as discussões dentro do X Cetated – Congresso Estadual dos Trabalhadores Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo, instância máxima da categoria não apenas de discussão das questões pertinente à classe mais, também, de tomada de decisões. A exposição dos temas foi feita de forma clara e didática e cada assunto foi discutido pelo plenário, que solucionou dúvidas e apresentou sugestões.
As discussões giraram em torno dos temas “Mercado de Trabalho e Qualificação Profissional”, com apresentação do Secretário Municipal de Trabalho, Deputado Geraldo Vinholi, e mediação de Sérgio B. de Souza, coordenador do Jurídico do Sated/SP; “Divulgação e Formação de Público”, apresentado por José Augusto Camargo, Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, e mediação do Diretor Iremar Melo; “Subvenções e Verbas Públicas”, com exposição de Sônia Machado de Azevedo, do SESI/SP e mediação da Presidenta do Sated, Ligia de Paula Souza; “Teatro de Grupo”, apresentado por Rodolfo Garcia, dos Satyros, e mediado pelo Diretor Mário Vaz; “Teatro Estudantil”, com os expositores Renato Freitas Barbosa, Jane Kastorsky e Valéria de Oliveira e mediação do Diretor Júnior Mosko; e “Teatro Convencional”, apresentado por Atílio Bari e mediação do Diretor Paulo Pompéia.

Logo após a apresentação dos temas, a primeira parte foi encerrada e os presentes reuniram-se em assembléia geral devidamente convocada, discutindo e aprovando o documento “O que mantém o Teatro Vivo”, com aprovação das propostas apresentadas. Em seguida, foi servido um coquetel que, além de marcar o encerramento do X Cetated marcou, também, o final das atividades administrativas do Sated em 2007. A seguir, destacamos um resumo dos temas discutidos.

 

Artes Cênicas
De acordo com Sônia Azevedo, quando ela entrou no SESI, há 15 anos, a entidade abrigava seis grupos de artes cênicas. Hoje, eles chegam a 18 e, brevemente, devem chegar a 21. Os núcleos de arte cênica abrigam cursos gratuitos de teatro, iniciação teatral e cursos de montagem. Nestes núcleos, o atendimento é feito por matrícula e por ordem de chegada, sem qualquer outro pré-requisito. Atualmente, o SESI tem 2000 alunos em seus cursos de artes cênicas, em todas as faixas etárias. Os cursos são livres mas os alunos que descobrem ali uma verdadeira vocação, prosseguem com seus estudos em nível superior, na Universidade de São Paulo, Unicamp e até na EAD – Escola de Artes Dramáticas, a mais difícil de entrar do Brasil.

Sônia Azevedo destacou o “Viagem Teatral” como um dos projetos do SESI que ela mais gosta. Iniciado há mais de 10 anos ele envolve toda uma itinerância, levando espetáculos teatrais a cidades em que “temos teatros. Os espetáculos, que passam por todo um processo de seleção, são comprados e, posteriormente, passam a ser encenados na capital ou em outras cidades. Para se ter uma idéia, no ano passado recebemos 500 projetos, alguns de autores iniciantes e outros de gente já bem conhecida. Os cachês, por apresentação, são de cerca de R$3.500,00 e os grupos recebem uma verba aproximada de noventa mil reais”.

 

Cultura e Trabalho
O deputado Geraldo Vinholi, da Secretaria Municipal de Trabalho, considera o paulistano como um ser muito interessado e ligado na Cultura, haja vista o sucesso da Virada Cultural, que cresce e se populariza ano a ano, com casa cheia nas apresentações de música erudita, popular, dança, jazz e teatro. “Portanto, nada mais justo do que qualificarmos pessoas para o fazer cultural, principalmente nas áreas técnicas tipo cenografia, iluminação, eletricidade. Pensamos, ainda, em cursos de capacitação que incluam qualificação em outros idiomas, tais como inglês, espanhol, já que São Paulo recebe um grande número de companhias estrangeiras que necessitam do trabalho desses profissionais. Uma das demandas que temos hoje é a abertura de um novo CAT – Centro de Apoio ao Trabalhador aqui, na região da Luz que, além de servir ao trabalhador, aos pequenos empreendedores, também ajudará nos planos municipais de recuperação do centro. Para a concretização desses cursos mais voltados à Cultura, estamos abertos para firmar parcerias com o SATED/SP”

 

União para Sobreviver
José Augusto Camargo, Presidente do Sindicato dos Jornalistas, considera que a arte teatral nunca morrerá. Uma das mais antigas do mundo, junto à Oratória e Filosofia, o Teatro resiste às crises e, desde a Grécia antiga, se impõe como arte maior. Entretanto, mesmo buscando maneiras de sobreviver, tais como alugando espaço para eventos empresariais, José Augusto considera que o custo para a manutenção de um Teatro é elevado. Assim, ele argumenta que é preciso se encontrar formas de captar recursos ou verbas publicitárias que ajudem na complementação da renda advinda de bilheteria e acrescenta: a divulgação de um espetáculo ou evento precisa, hoje, ser pensada e executada de forma profissional. É claro que o boca a boca é eficiente e outros meios alternativos, tais como a Internet, podem e devem ser usados. Mas, se quisermos atingir um grande público e penetrar nos meios de comunicação de massa, temos de nos profissionalizarmos. E, neste tocante, o presidente fez um convite ao Sated para, juntos com outros sindicatos afins, pensarem em um projeto de comunicação unificado.



Teatro Estudantil
Segundo Valéria de Oliveira, que trabalha com teatro estudantil em Sorocaba, “o nosso trabalho surgiu por iniciativa dos próprios alunos e eu acho que esta característica específica, de ser a expressão da vontade dos jovens, é que mantém o teatro vivo. As atividades são feitas para a comunidade, voltadas para os seus interesses. A interação é tanta que, às vezes, quando fazemos apresentações fora da comunidade, sentimos um certo espanto, como se as pessoas perguntassem: o que isto quer dizer? Por que dessa forma? Outrora, os alunos somente se apresentavam uma vez por ano, durante uma festa junina. Então, eles próprios chegaram à constatação que tinham muito o que externar e que apenas uma vez no ano era muito pouco”.

 

Comunicação
Renato Freitas, que desenvolve seu trabalho junto com Valéria e Jane, afirma que a essência do programa pode ser resumida em quatro fases: “Todos nós temos necessidade de nos comunicarmos, isto é, precisamos de um espaço de comunicação. E os alunos encontraram este canal no teatro. Eles se sentem vivos, sentem que sua voz pode ser ouvida e se eles conseguem esta atenção como ator, no palco, por que não como pessoa, dentro da sua comunidade? Uma segunda fase se assenta na idade dos protagonistas. Todo jovem gosta de desafios, de “mostrar que pode”. E quando eles conseguem montar um espetáculo, do começo ao fim, eles sentem que venceram o desafio. E se eles conseguem isto no teatro, porque não na vida real? A terceira fase é que eles também descobriram que podem aprender muita coisa através do teatro e de uma forma muito mais fácil e divertida. Na última reunião que tivemos de planejamento, os alunos manifestaram o desejo de trabalharem uma peça que lhes transmita algo didático, vinculado não a coisas que eles já sabem mas de onde possam extrair novos conhecimentos. E, por último, a constatação que, através do teatro, eles podem mudar muita coisa”.

Jane, que é professora, diz que tudo começou com uma brincadeira, quando fizeram “Pirandela”, que é uma sátira de “Cinderela”. Posteriormente, fizeram D. Quixote, Moliére e outros autores. No começo, fazíamos tudo de forma intuitiva, sem qualquer embasamento teórico. Foi aí que iniciamos a parceria com o SESI e, através dos profissionais, começamos a usar as técnicas teatrais de forma mais proveitosa. O entusiasmo foi tanto que, hoje, eu própria estou cursando o segundo ano do curso de Arte e Educação da UNIP de Sorocaba.

 

Grupos
Rodolfo Garcia, dos Satyros, enfocou a temática que sustenta toda a razão de ser de um Teatro de Grupo, ou seja, a recusa em admitir em que o lado comercial se sobreponha aos interesses culturais e ideológicos da companhia. Para ilustrar o seu posicionamento, Garcia traçou um histórico da atuação, no Brasil e em São Paulo, de todos que se comprometeram com este ideal, remontando aos shows do “Opinião” e peças do Arena entrando, depois, na história dos Satyros e das produções encenadas pela seu grupo. Sua intervenção despertou um grande interesse da platéia e muitas das perguntas referiam-se à sustentação financeira do grupo. Garcia defendeu que quando se faz uma opção, é preciso que se esteja preparado para suas conseqüências e frisou: “o próprio fato de estarmos vivos e produzindo é sinal que temos público que garante a nossa sobrevivência”.



Convencional
O festejado diretor teatral Atílio Bari, discorrendo sobre o teatro convencional e as formas que garantem a sua sustentação, se aprofundou nas questões de marketing e de comunicação. Iniciou sua intervenção abordando a necessidade que o homem tem de se comunicar, relacionando-a com a própria existência do teatro. Depois, abordou as formas de comunicação do mundo de hoje e os meios que o homem tem ao seu alcance para se comunicar, pinçando não apenas o teatro, mas a própria mídia. Entretanto, quando abordou as formas de marketing que sustentam o teatro, sua palestra atingiu um ponto máximo, pois todos queriam saber como manter, principalmente do ponto de vista financeiro, o teatro vivo. Atílio esmiuçou os mecanismos de marketing, indo das leis de incentivo, ao apoio cultural, bilheteria e merchandising, frisando que é essencial que “cada companhia escolha seu nicho e direcione suas produções para um público específico, pois sempre há público disponível”.

 


 

PAGINA 6

 

Conhecendo o Sistema Único de Saúde (SUS)
José Jarbas Pismel*

Prestes a completar vinte anos de existência, o SUS – Sistema Único de Saúde é com certeza o maior Plano de Saúde do mundo, mas a sua estrutura, organização e os princípios que norteiam o seu funcionamento ainda são desconhecidos da grande maioria dos brasileiros. A sua divulgação, além de facilitar o exercício da cidadania, certamente aumentará o apoio a esta importante política pública de saúde dentro da sociedade civil organizada.

 

O QUE É O SUS?

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais ou por entidades contratadas. SUS foi conquistado pela população brasileira e está consolidado na Constituição Federal. O SUS garante o atendimento universal, igualitário e integral a todo o cidadão brasileiro que dele precisar nas unidades de saúde, ambulatórios, laboratórios, clínicas, hospitais públicos; filantrópicos ou privados contratados, em visitas domiciliares e mediante ações coletivas de saúde, sem que nada seja cobrado do usuário. Esse atendimento já foi pago pelo cidadão, através das contribuições sociais e dos impostos arrecadados.

Os governos federal, municipal e estadual devem adotar as medidas necessárias para que o SUS funcione bem. Com a municipalização da Saúde, cada município é responsável pela coordenação de todos os serviços do SUS localizados dentro dos seus limites territoriais. Para isso, todos os anos a Câmara Municipal aprova o orçamento do município. Nele está definido quanto será gasto com a saúde no ano seguinte. O Estado, o Governo Federal devem cooperar com dinheiro e orientação técnica para assegurar o atendimento da população, além de complementar os serviços especializados inexistentes no município.

As ações e serviços prestados pelas entidades públicas e privadas contratadas devem se orientar de acordo com os seguintes Princípios doutrinários:

 

Universalidade dos serviços:
Acesso à saúde como direito público subjetivo integrante dos direitos da cidadania. A Universalidade é o princípio segundo o qual “A saúde é direito de todos e dever do Estado...” (CF, 196, caput) – acesso garantido aos serviços de saúde para toda população, em todos os níveis de assistência, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie. Historicamente, quem tinha direito à saúde no Brasil eram apenas os trabalhadores segurados do INPS e depois do INAMPS. Com o SUS, isto mudou: a saúde passa a ser um direito de cidadania de todas as pessoas e cabe ao estado assegurar este direito. Neste sentido, o acesso às ações e serviços deve ser garantido a todas as pessoas independentemente de sexo, raça, renda, ocupação ou outras características sociais ou pessoais.

 

Eqüidade na Prestação dos Serviços:
A política pública de saúde deve ser redistributiva com o objetivo de corrigir desequilíbrios sociais e regionais. Deve se dar tratamento desigual para situações desiguais, ou seja, a cada um segundo suas necessidades, objetivando proporcionar uma maior uniformidade. As ações e serviços devem ser priorizados em função de situações de risco e condições de vida e saúde de determinados indivíduos e grupos de população. O objetivo da eqüidade é diminuir desigualdades. A eqüidade é um princípio de justiça social.

 

Integralidade na Assistência:
Direito das pessoas serem atendidas na íntegra em suas necessidades. É “entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do ”Sistema;” (Lei 8.080, 7.º, II)
O princípio da integralidade significa considerar a pessoa como um todo, atendendo a todas as suas necessidades. Para isso, é importante a integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação.

 

Descentralização e comando único dos Serviços:
Redistribuição de recursos e responsabilidades entre os entes federados com base no entendimento de que o nível central, a União, só deve executar aquilo que o nível local, os municípios e estados, não podem ou não conseguem. A gestão do Sistema (SUS) passa a ser de responsabilidade da União, dos estados e dos municípios, agora entendidos como os gestores do SUS. Descentralização é redistribuir poder e responsabilidades entre os três níveis de governo. Na saúde, a descentralização tem como objetivo prestar serviços com maior qualidade e garantir o controle e a fiscalização pelos cidadãos. Quanto mais perto estiver a decisão, maior a chance de acerto.

No SUS, a responsabilidade pela saúde deve ser descentralizada até o município. Isto significa dotar o município de condições gerenciais, técnicas, administrativas e financeiras para exercer esta função.

 

Regionalização e Hierarquização da Rede:
Distribuição espacial dos serviços de modo a atender às necessidades da população por regiões e em diferentes níveis de complexidade. Exige ações articuladas entre estados e municípios, sendo-lhes facultadas a criação de consórcios. A regionalização e a hierarquização de serviços significam que os serviços devem ser organizados em níveis crescentes de complexidade, circunscritos a determinada área geográfica, planejados a partir de critérios epidemiológicos, e com definição e conhecimento da clientela a ser atendida

.

Participação Social:
É a institucionalização da democracia participativa com a obrigatoriedade de constituição e de funcionamento de conselhos de saúde nos três níveis de governo, através da democratização do conhecimento do processo saúde/doença e dos serviços, estimulando a organização da comunidade para o efetivo exercício do controle social, na gestão do sistema. Esta democratização também deve estar presente no dia-a-dia do sistema. Para isto, devem ser criados os Conselhos e as Conferências de Saúde.

 

Intersetorialidade
Propicia o desenvolvimento de ações integradas entre os serviços de saúde e outros órgãos públicos, com a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde, potencializando, assim, os recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos disponíveis e evitando duplicidade de meios para fins idênticos.

 

Resolutividade:
As ações e serviços de saúde desenvolvidos pelo SUS estão organizados em três níveis de atenção, Atenção Básica ou Primária, Média Complexidade ou Secundária e Alta Complexidade ou terciária. Segue a ordem crescente de complexidade segundo cada caso requeira para ser solucionado, recursos humanos mais especializados, material e equipamentos mais sofisticados e maior custo.



Atenção Básica ou Primária
É um conjunto de ações, de caráter individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltada para a promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e reabilitação. Atua com foco na qualidade de vida das pessoas e de seu meio ambiente. Atua em áreas estratégicas mínimas como o controle da tuberculose, eliminação da hanseníase, controle da hipertensão arterial, controle do diabetes mellitus, saúde da criança, saúde da mulher, saúde bucal. Ex: Unidades Básicas ou Centros de Saúde, Unidades de Pronto Atendimento e Prontos Socorros. Além de ser a porta de entrada do Sistema de Saúde a Atenção Básica pode resolver cerca de 85% dos problemas de saúde que afetam a população.

 

Média Complexidade ou Secundária
Serviço preparado para atender algumas especialidades como cardiologia, neurologia, ortopedia geral, ginecologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, pneumologia, fonoaudiologia, psiquiatria etc. Realizar exames de apoio diagnóstico terapêutico para auxiliar nos casos encaminhados para estas especialidades. Ex: Clínicas ou Policlínicas de Especialidades.

 

Alta Complexidade ou Terciária
Neste nível de atenção são encaminhados os casos mais graves que necessitam de equipamentos mais sofisticados, recursos humanos mais especializados, onde a internação do paciente se faz necessária, uso de UTI (unidades de terapia intensiva) e o custo é maior. Ex: Hospitais.

(*) Assessor da Prefeitura de Sorocaba
e encarregado da Capacitação de Conselheiros do SUS.


 

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Mulheres, Mulheres, Deusas e Santas Mulheres

Se a história da Humanidade no planeta Terra é uma epopéia de riscos, superações e muita luta, a da mulher é tudo isto multiplicado por dois: além de estar exposta ao mesmo risco de seus companheiros, ela teve de conquistar o seu lugar em uma sociedade quase sempre machista mediante a força ou as leis usadas pelos seus próprios companheiros. Até os dias de hoje somos surpreendidos por manchetes policiais em que mulheres são espancadas ou mortas porque ousam dizer não aos seus maridos ou namorados. Felizmente, o quadro está mudando e os homens, na maioria dos casos, vêem a mulher como uma companheira quer na rotina doméstica, do trabalho ou das salas de aula.

Através dos depoimentos das mulheres que seguram o dia-a-dia do SATED, a entidade homenageia não só estas guerreiras mas todas que passaram pela entidade ou brilham como estrelas no firmamento artístico paulista.

Trabalho e Sonhos
Desde a sua fundação, há 72 anos, o SATED/SP sempre contou com um bravo time de mulheres. Hoje, Damiana Caetano da Silva (Manutenção), Adriane Fernandes Novo (Jurídico), Ligia de Paula Souza (Presidência), Denise Santana Fon (Comunicação), Catarina Bernadete de Morais (Comunicação), Maria Valdileide (Capacitação), Adriana Caracciollo (Jurídico), Sílvia Gomes de Oliveira Lopes (Recepção), Jussara de França Catarino (Assistente Presidência), Patrícia Barbosa da Silva (Saúde) Elza Fernandes (Diretoria de Assistência Social), Pamela Lorena Paz (Diretoria Capacitação) e Cristiane Lima Pereira (Eventos) desempenham suas funções com garra e competência e falam dos seus trabalhos.

Damiana é um verdadeiro azougue e quando a gente acha que ela está no quarto andar, já subiu ao quinto, já foi ao banco, já fez aquele chá e cafezinho deliciosos. Pretensões? Viver em paz com seus irmãos e ser feliz. O Departamento da Cristiane, de Eventos, presta serviços e interage com todos os outros setores. E ela afirma: “meus dias nunca são iguais e através da superação de erros e realização de projetos, sinto-me realizada nas minhas funções. Quanto mais unida, mais a equipe se fortalece. A minha perspectiva é que o Sindicato caminhe em conjunto, como uma família, e que os artistas que nos procuram se sintam em casa e retornem”.

Como assistente da Presidência, Jussara faz a interface entre a Presidenta, funcionários e público e considera que cada dia traz um aprendizado novo, pois sempre acontecem coisas diferentes. Também acha que o Sated valoriza e incentiva seus funcionários. A Valdileide descreve assim o seu trabalho: “atendo ao público pessoalmente, por e.mail e telefone, orientando como as pessoas que buscam seu Registro Profissional ou Sindicalização devem proceder. Assessoro, ainda, a Diretoria de Capacitação, preparando as agendas de reuniões e organizando e dando andamento aos processos da área. O ideal é que este atendimento fosse mais personalizado”. Adriana Caracciollo atua na área de notificação, registro de contrato de trabalho dos profissionais artistas e técnicos, atendimento ao público no que concerne ao registro de contratos de trabalho, piso salarial e contribuições sindicais. Afirma: “procuro fazer meu trabalho com qualidade e dinamismo, contribuindo para o bom funcionamento da área. Como atriz e funcionária tento me aprimorar para ajudar a categoria a lutar por seus direitos como profissionais”. E, a recepcionista Sílvia dá o recado final: acredito que cada vez mais os profissionais da área se empenham na busca de informações que os capacitem a exercerem suas profissões. Contem comigo, pois estou aqui para atende-los e direcioná-los aos departamentos competentes”.

Prestamos, ainda, nossas homenagens às atrizes Bibi Ferreira, Cacilda Becker, Derci Gonçalves, Dulcina de Morais, Eva Wilma, Fernanda Montenegro, Denise del Vecchio, Glauce Rocha, Leila Diniz, Etty Fraser, Lélia Abramo e tantas outras que brilharam ou ainda brilham no mundo artístico, desculpando-nos pelas omissões que, reconhecemos, são muitas.



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Mundo artístico Perde Beto Carrero

 

O coração do caubói brasileiro Beto Carrero parou de bater na madrugada de sexta-feira, dia 1º de fevereiro no hospital Sírio-Libanês, onde estava internado desde o início da semana com problemas cardíacos. Ele havia sido submetido, inclusive, a uma cirurgia para corrigir estas complicações mas, segundo boletim médico, não resistiu. Em setembro passado, ele já havia feito um implante na válvula aórtica, em uma tentativa de impedir o refluxo do sangue bombeado para o coração.

Seu corpo foi sepultado, sábado, no município de Penha, em Santa Catarina, cidade que abriga o “Beto Carrero World”, um dos maiores parques temáticos do mundo, inaugurado pelo empresário em 1991.

Menino pobre, José Batista Sérgio Murad que, mais tarde, adotaria o nome artístico de Beto Carrero, nasceu em São do Rio Preto, interior de São Paulo, e cresceu em uma fazenda, onde seu pai trabalhava como “carreiro” (condutor de carros de bois). Desde esse tempo ligou-se a animais, rodeios e trouxe este mundo para o meio artístico, começando com um programa de rádio onde tocava música sertaneja e contava “causos” junto com Tino Santana, irmão do humorista Dedé Santana.

Autodidata, enveredou pelo mundo publicitário e sua agência, a JB World, estava entre as 19 grandes da época, tendo lançado campanhas memoráveis como as toalhas Büettner e Leite de Aveia Davene, ambas com a Tonia Carrero. Fez filmes e televisão e parcerias que se tornaram históricas com os Trapalhões e Gugu Liberato.
Mesmo tendo se transformado em um grande empresário, Beto Carrero nunca esqueceu os amigos antigos nem abandonou seu sorriso franco nem sua voz pausada e sempre manteve um ótimo relacionamento com o SATED/SP que, hoje, presta a sua homenagem ao artista e empresário Beto Carrero.

 

 

 

Centrais pedem redução da Jornada de Trabalho

 

As principais centrais sindicais do País – CUT, NCST, UGT, CTB e CGTB – marcharam pelas ruas de São Paulo no último dia 11 exigindo redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem perda salarial, visando à criação de novos empregos. As centrais pretendem arrecadar mais de um milhão de assinaturas em um abaixo-assinado que encaminharão ao Congresso Nacional, em maio, como forma de levar o Legislativo a analisar dois projetos de lei, sobre o assunto, que tramitam na Casa. Segundo dados de 2005, o custo da mão-de-obra brasileira é 5,8 vezes menor que a estadunidense e 6 vezes menor que a francesa. A medida pode gerar 2,2 milhões de novos postos de trabalho e contribuir para o aumento da qualidade de vida do trabalhador.

 

 

Reaberta temporada do Cineclube Sated

No próximo dia 06 de março o Cineclube Sated retoma suas atividades, com a exibição de clássicos do cinema paulista. Dentro da temática “Conhecendo a história do Cinema Paulista”, o Sated pretende levar ao cidadão paulista não apenas o lazer, mas o conhecimento sobre a arte cinematográfica que se fez e faz no Estado. A presença dos diretores dos filmes garante um debate rico e esclarecedor. As sessões acontecem às quintas-feiras, às 19h00. Confira a programação de março:

Dia 6 - Snuff, Vítimas do Prazer
De Cláudio Cunha. Com Carlos Verezza, Rossana Ghessa, Canarinho, Nadir Fernandes, Hugo Bidet, Maria Graciela, Fernando Reski, Roberto Miranda, Lucia Alvim, Martie Suara, Sérgio Hingst, Walter Prado, Patrícia Célere, Fátima de Jesus, Geraldo Louzano, Cláudio Cunha, Aparecida de Castro, Xuxa Lopes, Paulo Munno, Carlos Rojas, Alaor Santos, Patrícia Americana, Regina Nogueira, Maria Odete, Patrícia Gomes, Vera Lucia Meio.

Dia 13 - Lillian M: Relatório Confidencial
De Carlos Reichenbach. Com Célia Olga Benvenutti, Benjamin Cattan, Sérgio Hingst, Maracy Meio, Edward Freund, Walter Marius, José Júlio Spiewak, Theresa Bianchi, Caçador Guerreiro, Genésio Carvalho, Wilson Ribeiro, Paolo Picchi, Washington Lasmar.

Dia 20 - Perfume de Gardênia
De Guilherme de Almeida Prado. Com Cristiane Torloni, Jose Mayer, Walter Quiroz, Cláudio Marzo, Betty Faria, José Lewgoy, Raul Gazolla.

Dia 27 - Corpo e Alma de uma Mulher
De David Cardoso. Com Tassia Carmargo, Helena Ramos, Matilde Mastrange e David Cardoso.

 

São Paulo,