ANO VIII - JULHO/AGOSTO 2008

Informativo do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo Filiado à FIA E FIA-LA.

 

CAPA

A pauta Ocupação Teatral Reúne profissionais da Arte

O projeto Aplauso, dentro do processo de ocupação, engloba as etapas de mapeamento de espaços culturais abandonados, revitalização, sensibilização, auto-sustentabilidade e posicionamento na comunidade. (Página 7)

 

 

Casos e Descasos na Divulgação Cultural

A grande imprensa precisa lembrar que os meios de comunicação não são somente negócios: todos têm uma função social a cumprir! (Página 3)

 

Os “jovens” da Publicidade (Página 5)


Entenda o que é o Estresse (Página 6)

 

 

Opinião

Affair Dantas: Abalando as Estruturas do Judiciário no Mundo Orkutizado
Jarbas Machioni

(Página 4)

 

 

 

 

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EDITORIAL

Agosto rima ...com
O que a gente quiser!

Lígia de Paula Souza*


Em anos não muito distantes, os brasileiros ficavam sempre ansiosos e tensos quando o mês de Agosto despontava no calendário. E tinham suas razões: o mês sempre esteve associado a crises político-institucionais e acontecimentos trágicos que abalavam o País. Até que o golpe militar de 1964 – 31 de março ou 1º de Abril? – mostrou que, tal como as boas coisas, as más não têm data marcada e são corolários de seqüências mais ou menos previsíveis.
O amadurecimento de nossas instituições democráticas afastou de vez essa superstição e Agosto passou a ser visto como o mês em que o País volta à sua normalidade, após as férias de Julho. De fato, o Judiciário volta a se reunir, garantindo a vida dos cidadãos; o Congresso, assembléias legislativas e câmaras municipais retomam seus trabalhos; os jovens voltam às escolas e universidades. Pois é, tudo nos remete a um renascer de vida após os meses de inverno, com sementes brotando, riachos retomando seus cursos numa antecipação da primavera.
Aqui no SATED as coisas boas continuam acontecendo. Em Julho, recebemos a escritura definitiva dos conjuntos 403 e 404, coroando assim uma negociação que havia se iniciado em 2006 e que ainda não tinha sido concluída em razão de alguns documentos dos vendedores que precisavam ser regularizados. Numa comparação simplista, são cerca de mais 100 metros quadrados de área que são adicionados ao patrimônio do Sindicato e, portanto, da categoria.
Na nossa sede, corredores cheios de jovens e mesmo pessoas mais maduras participando dos nossos cursos, se juntando a grupos de trabalhos, discutindo em assembléias ou assistindo às sessões do Cineclube Sated, atestam a boa fase que a nossa entidade atravessa. E é com este espírito que vivemos Agosto e, no seu final, nos despediremos, agradecendo por todas as coisas boas que ele nos trouxe. Um forte abraço e uma boa leitura para Vocês.

Ligia de Paula Souza – Presidenta do Sated/SP


 

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Casos e Descasos na Divulgação Cultural

 

Acompanhem a novelinha vivida pelo produtor teatral Gerardo Franco e, depois, reflitam conosco sobre as dificuldades que artistas e produtores enfrentam na divulgação de seus trabalhos:

INTRÓITO

1 – No dia 4 de Agosto recebemos o e.mail transcrito abaixo, enviado pelo produtor Gerardo Franco:

“A todos da Classe Teatral de São Paulo. Como meu espetáculo MOTEL PARADISO não tem saído no roteiro do GUIA DA FOLHA, tenho estado direto no chamado “RODÍZIO”, questionei a repórter Maria Eugenia sobre o motivo, e vejam o meu e.mail e a resposta dela:

2 – E. mail encaminhado por Gerardo Franco a Maria Eugenia;
“Guia da Folha
At. Maria Eugênia
Sou o produtor e ator do espetáculo MOTEL PARADISO, tenho o apoio da Folha de São Paulo na divulgação, anuncio toda semana no Guia da Folha e no Acontece e estou sempre no rodízio dos espetáculos que não entram na divulgação do serviço do guia. Enviei o cadastro para o Clube Folha, ofereço desconto de até 50% aos assinantes e leitores da Folha de São Paulo, meu divulgador Cícero Júnior já solicitou a inclusão várias vezes e nós raramente saímos. O que está acontecendo? Você poderia me falar para eu avisar ao autor, diretor e elenco da peça? Atenciosamente. Gerardo Franco”.

3 – Resposta encaminhada ao Gerardo Franco pela repórter Maria Eugênia Menezes, da Folha de S. Paulo:
Prezado Senhor Gerardo,
Encaminho-lhe os “Critérios para a Inclusão de Espetáculos no Roteiro de Teatro”
- Todas as peças (encaminhadas à redação em tempo hábil) são incluídas em sua estréia;
- SÃO MANTIDOS NO ROTEIRO SEMANAL AS MONTAGENS QUE ATRAEM GRANDE PÚBLICO (ESPETÁCULOS NO TEATRO ABRIL, CREDICARD HALL ETC.); todas as peças que têm avaliação regular, bom e ótimo do crítico Sérgio Salvia Coelho (teatro adulto); peças de GRUPO RENOMADO (MESMO SEM AVALIAÇÃO); espetáculos que estão em sua última semana em cartaz;
- Nos demais casos, fazemos um revezamento que ocorre com duas ou três semanas de intervalo, porque, infelizmente, não temos espaço suficiente nos roteiros impressos para publicar todas as peças em cartaz na cidade. Grata
Maria Eugênia, Repórter do Guia – Folha de S. Paulo

4 - Correspondência encaminhada à Folha Pela Assessoria de Comunicação do SATED/SP
Prezada Maria Eugênia
Sou a assessora de Comunicação do SATED/SP – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo, e editora do jornal APLAUSO, órgão oficial da entidade. Recebi o e.mail abaixo do produtor Gerardo Franco. Nele, estão documentadas a consulta que ele fez a Você e a sua resposta. Em sua queixa, o produtor considera que a Folha faz uma triagem utilizando critérios pouco éticos, tais como o teatro em que o espetáculo está sendo exibido e o (tamanho $$$) da bilheteria, segundo você mesmo afirma. Endossamos esta queixa, pois consideramos que a qualidade do espetáculo não se define pelo teatro onde está sendo exibido ou bilheteria. Vamos publicar a nota no jornal “Aplauso”, em edição que está sendo preparada e fecha na quinta-feira. Gostaríamos de saber se Você, críticos ou editores de Cultura da Folha têm algo a acrescentar. Aguardamos a sua resposta até a próxima quinta-feira, dia 07. Atenciosamente – Denise Santana – Jornalista responsável – Jornal “Aplauso”.

5 – Resposta encaminhada por Adriana Ferreira Silva, editora do Guia da Folha.
Prezada Denise
Sobre a inclusão de espetáculos de teatro no Guia da Folha, em resposta ao e.mail do sr. Gerardo Franco, a repórter Maria Eugênia de Menezes informou alguns critérios editoriais utilizados para a elaboração do roteiro. Além desses, e de outros, complementamos nosso trabalho com o Guia da Folha Online (www.guiadafolha.com.br), que mantém no ar todos os espetáculos em cartaz na cidade. Atenciosamente – Adriana Ferreira Silva.

NOSSO COMENTÁRIO

Artistas e produtores precisam encarar de imediato o grande desafio que toda a classe artística tem à frente: a divulgação de seu trabalho.
Todos nós sabemos que a Cultura nunca foi medida pelos parâmetros que definem uma obra cultural nem o seu nível de qualidade. Os parâmetros utilizados pela mídia em geral – impressa, televisiva ou radiofônica – sempre foram, de fato, a bilheteria que, por sua vez, é ditada pela presença de atores/atrizes que estão em evidência por sua participação em novelas, talk-shows ou programas de variedades. Por terem uma bilheteria garantida, estes espetáculos também são anunciados em inserções milionárias nos jornais, TVs e rádio e, seguindo este critério que é o que comanda a vida de uma empresa (e não esqueçamos que as empresas de comunicação são empresas como outra qualquer, que visam a lucros). Por mais que não concordemos e lembremos da “função social” das empresas de comunicação, a situação financeira é o que importa e, convenhamos, se pensarem de outra maneira, dentro das leis que regem a economia, iriam à falência em pouco tempo. Claro que daria para conciliar a visão empresarial com a social... mas isto dá muito trabalho! As mídias digitais fogem um pouco a este padrão mas, infelizmente, ainda são poucos os que tem acesso diário à internet.
Assim, voltamos ao início: os produtores e classe artística não podem mais adiar a discussão do que, certamente, é o seu maior problema hoje: a divulgação de seu trabalho.

 

 

 


PAGINA 4

 

OPINIÃO

Nas últimas semanas, com a deflagração da chamada “Operação Satiagraha”, que culminou com as prisões de várias pessoas entre elas o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o mega investidor Naji Nahas, uma grande polêmica se estabeleceu na sociedade: houve abuso de autoridade por parte da Polícia Federal? O juiz Fausto Martin de Sanctis errou ao decretar a prisão, por duas vezes, de Daniel Dantas? Ou o ministro Gilmar Mendes desrespeitou o Judiciário ao mandar libertar, também por duas vezes, os acusados?
Dentro da nossa linha de colaborar com o debate das grandes questões sociais, deixando o artista cada vez com mais condições de opinar serenamente sobre assuntos relevantes, publicamos artigo escrito pelo advogado Jarbas Machioni, Conselheiro da OAB. No próximo número, fazendo contraponto, deveremos trazer a opinião do juiz De Sanctis, já convidado pelo Sated/SP.

 

Affair Dantas: Abalando as Estruturas
do Judiciário no Mundo Orkutizado
Jarbas Machioni*

Toda demora é um crime; toda formalidade é um perigo público; o tempo para punir os inimigos da pátria não deve ser senão o de os reconhecer”. (Justificativa à Lei 22 de Praial, de Robespierre e Couton, que, ao final, os levaria também, à guilhotina.)

Antes de mais nada:
Pessoalmente, acho que Daniel Dantas deveria estar preso. Acho que Gilmar Mendes não deveria ter-lhe dado um “habeas corpus”. Acho que, aliás, muitas pessoas do Governo, atual, do anterior, de passados e provavelmente dos futuros deveriam ou deverão ser presos. Isso é apenas um sentimento ou opinião pessoal.
Como advogado, aliás, nunca fui fã da idéia de Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal, achava que ele iria pender para o Governo sempre, embora o reconheça como um constitucionalista de grande mérito, com obras importantes sobre o assunto, respeitado no Brasil e na Alemanha.

Esse preâmbulo acima é importante hoje em dia, pois vivemos tempos de “orkutização” do debate, em que, se você expressar uma opinião, ao invés de lhe discutirem os conceitos ou a tese, a tendência das pessoas será de dar um rótulo a quem opinou, taxando-o menosprezadamente de pertencer a esse ou outro grupo, ou de ser “isso” ou “ aquilo” etc., e os fatos e circunstâncias ficam esquecidos.

Assim, no caso em questão:
- Se você for a favor do habeas corpus de Gilmar Mendes, é porque ou está comprado por Daniel Dantas, ou é corrupto, ou cínico, sacripanta, deveria ser fuzilado, aliás queimado em praça pública, sua casa arrasada e a sua infâmia perdurar até a quinta geração e ... (desculpe leitor, acho que me empolguei...).
- Se for a favor da prisão dele, é porque quer moralizar o país, libertar de suas amarras coloniais, apoiar o trabalho republicano da Polícia Federal, quer o bem geral, é libertário, da turma do bem, vai para o céu, deveria ser canonizado vivo e ... (opa, desculpe a recidiva...)

Esse tipo canhestro de debate chamo de orkutizado pois, tal qual o site de relacionamentos na internet denominado Orkut, as pessoas aglomeram-se em grupos, às vezes em torno de um assunto (Lula, FHC, contra ou a favor do aborto, esportes radicais etc.) e ficam tecendo loas a seu grupo e xingando o contrário, sem qualquer troca de idéias produtivas ou minimamente respeitosas .
Mas o debate público não pode ser levado assim, o que está em jogo são questões institucionais não comportando essa simplificação da realidade, e dentro dessa perspectiva deve ser a discussão.

Infelizmente nossa sociedade está desenvolvendo um debate - não só nesse assunto diga-se - de maneira infantil e irresponsável, ignorando essa velha dama, a História, que não perdoa erros, cobra-os amarga e, por vezes, cruelmente.

De maneira surpreendente, no caso Dantas, temos visto juízes e promotores assumirem levianamente qualidade de atrozes acusadores, reverberando uma indignação, uma ira incabível para os primeiros, que deveriam julgar com serenidade e imparcialidade, e exagerada para outros, detentores do poder de processar criminalmente, mas que só deveria ser exercido dentro de estritos limites éticos e com respeito à ordem constituída.

Mas muitos, inclusive na imprensa, acham-nos redentores da nação, e os aplaudem sem ter lido o processo contra Dantas, sem cuidar para o fato de que prisão só deve acontecer depois do julgamento - antes dele, só em casos de flagrante ou muito especiais. Essa é a lição de milhares (e estou falando literalmente de milhares!) de anos de Ciência do Direito, pois há pelo menos três mil anos que os povos antigos assentaram ser necessário julgar antes de condenar.

Esquecem tais pessoas que, por ser assim, fica mais fácil libertar do que prender os acusados, mas que isso é importante por ser uma garantia fundamental da liberdade.

Por que o juiz prendeu Dantas novamente horas após o Supremo Tribunal Federal ter mandado libertá-lo, sob suposto outro motivo? Aliás, porque em outro caso, esse mesmo juiz desacatou ordem de outro Ministro do Supremo Tribunal Federal? Trata-se de justiça ou de justiçamento? Quê falar de um juiz que não crê na lei?

Setores da imprensa atacaram o ministro Gilmar Mendes por ter concedido o habeas corpus, alegando ser um absurdo, por ter ele contrariado a Súmula 561 do STF; mas isso não é verdade, essa súmula já vinha sendo abrandada pelo próprio STF, tendo sido, inclusive, discutida sua revogação no processo 85.851 de 2005, julgamento esse em que acabou sendo deliberado poder o relator não a observar em casos concretos de flagrante ilegalidade! Por que a certa imprensa ignora tais fatos?

Na verdade, a Súmula 561 foi um erro histórico na tradição libertária do Direito brasileiro, pois, na nossa conturbada história republicana, ele foi arma vital para garantir a liberdade em casos extremos.

A Floriano Peixoto também desagradavam ministros do Supremo Tribunal Federal que concediam habeas corpus, ameaçando-lhes : se concederem habeas corpus a políticos, quero ver quem os concederá aos ministros do Supremo!

Contrariou a Hermes da Fonseca em 1911, quando se recusou a acatar certo habeas corpus dado pelo STF por considerá-lo ilegal.

No famoso julgamento do governador Miguel Arraes, nos primórdios da revolução de 1964, o então comandante do Primeiro Exército recusara-se a acatar o habeas corpus concedido pelo STF em favor de Arraes, oficiando-lhe ter libertado Arraes, mas o prendido na seqüência por alegado outro inquérito policial-militar!

A resposta do STF foi firme, taxando de “intolerável... interpretação restritiva e rebelde a soberania do poder judiciário” e determinando a soltura de Arraes. Horas depois, ele foi solto.
Daniel Dantas foi preso. Antes de ter um julgamento. É lição básica, não apenas de Direito, mas de conduta civilizada, que as pessoas só sejam presas após julgadas, e não antes, salvo motivo excepcional ou flagrante delito.

É direito de todo cidadão ter um devido processo criminal, e ser considerado inocente até prova em contrário. Se o estado não consegue efetuar um processo rápido e suficientemente provado, isso não deve ser motivo para manter Dantas preso.

Lamento que não esteja ele preso - após julgamento e se for culpado. Mas lamentarei muito mais – e por todos nós - se for preso sem julgamento.

* Advogado e Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/SP


 

 

 

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Os “jovens” da Publicidade

 

Bons de papo, de cabeça, conscientes e, acima de tudo, felizes da vida, o número de atores, acima dos 70 anos, que trabalha hoje, como figurantes, nos filmes publicitários cresce a cada dia. A renda auferida dessa atividade já é um fator importante na composição do orçamento familiar ou, mesmo, como complementação da aposentadoria dos que moram sozinhos. Conversamos com dois atores e uma atriz e vejam que lição de vida ele nos dão.

Márcio Guedes Pereira, com 76 anos, nasceu na Paraíba, de família portuguesa. Quando ele tinha apenas um ano, sua família mudou para são Paulo. Passou sua primeira infância em Catanduva, posteriormente viveu em Taubaté e aos 8 anos, em 1940, passou a residir na capital paulista. Formou-se em Administração de Empresa, mas nunca trabalhou na área. Foi corretor de imóvel durante 30 anos e gerenciou algumas empresas privadas. Aposentado, casou duas vezes e foi no segundo casamento que começou a se interessar pela propaganda, estimulado por duas enteadas publicitárias que o incentivaram a fazer propaganda para televisão. Como ele já estava aposentado, tinha muito tempo ocioso e uma delas lhe perguntou:

- Por que você não tenta trabalhar com publicidade, fazer fotografias? No início, fez filmes para C&C, Cartão do Aposentado Bradesco e, no momento, está trabalhando numa campanha do refrigerante Skin, que está sendo filmada no litoral Norte. Marcio já atua nesta área há 5 anos.

Quanto à remuneração, diz: “Ela é pequena mas, dependendo do comercial ou da atividade, o valor que pagam é um pouco melhor. Eu encaro este trabalho como diversão, em que ocupo meu tempo. Passo o dia filmando e não dá tempo de esquentar a cabeça. A minha única dificuldade é gravar texto. Então, como tenho desenvoltura e facilidade de expressão, adquirida nos tempos em que trabalhei como corretor, consigo superar este problema”.

Na sua opinião, a terceira idade não tem muito espaço na propaganda, hoje quase toda voltada para o jovem: “De um certo modo, a sociedade atual está totalmente envolvida com a juventude. Quando precisam de homem da minha idade, sou chamado para fazer uma cena ou outra. Os chamados são muitos, mas nem sempre você é aprovado. Mesmo assim, vejo que os convites para pessoas da terceira idade são bem menos do que para os jovens. A valorização da juventude está na agitação e nossa sociedade exige juventude, beleza e formas atléticas. Para o idoso, os convites se resumem a duas ou três funções, tais como avô, Papai Noel na época de Natal, filmes que envolvam famílias ou algum outro que exige a participação de alguém de mais idade. Eu sou sempre chamado para comerciais com a família “.

O ator acha ainda que muitas pessoas da terceira idade teriam condições de fazer comerciais, mas as agências sempre chamam as que já conhecem, num círculo que não passa de cerca de dez. Além disso, o número de pessoas mais idosas que se dispõem a este tipo de atividade e tem características de idosa (cabelo branco) é bem reduzido. As agências têm uma tremenda dificuldade em conseguir mulheres idosas, porque a maioria pinta o cabelo. Isso já não acontece com figurantes, que são constantemente chamados: “Se eu fosse trabalhar como figurante não parava em casa”.

Márcio conta que já passou a noite inteira gravando: “É cansativo, mas quando você vê o trabalho pronto, é gratificante. Também já passei por situações desagradáveis. Chamaram-me para fazer um comercial fora de São Paulo e viajamos a noite inteira. Entretanto, meu papel era fazer uma sombra atrás de uma cortina. Eu não gostei, eles podiam usar um boneco para fazer sombra”.

Márcio aconselha às pessoas da terceira idade que querem entrar para esta área a fazerem, primeiramente, um book e depois procurar uma agencia, ser simpática, ter disciplina com horários, se entregar por completo ao que vai fazer, ter muita paciência pois, às vezes, a pessoa roda a madrugada gravando.

Outro fator que considera importante é ser cadastrado no sindicato: “Para fazer o comercial da Skin, tive que apresentar o meu registro do SATED, o que transforma nossa atividade em algo profissional”.

Maria Gualberto, aos 74 anos, nunca desanimou diante de qualquer desafio ou perda e sempre correu atrás de seus sonhos. Oriunda de uma família pobre, é aposentada, mora sozinha, longe dos filhos e justifica: “Eu não quero ser mala para ninguém”.

No dia em que deu entrada na aposentadoria, em 1994, perdeu um filho de 40 anos e superou esta perda com um convite que recebeu do Sesc Pompéia para um evento: “Goulart de Andrade (homem da madrugada), estava lá, me viu triste, conversou um pouco comigo, ofereceu seu cartão, e perguntou se queria entrar na área de publicidade fazendo figuração. Na hora recusei, pois estava sem cabeça para pensar. Isto passa — disse ele — o tempo é o melhor remédio, vou deixar o meu cartão para que procure esta Produtora. Isto vai lhe ajudar muito”.

Portanto, foi o Goulart de Andrade que, ao lhe indicar uma produtora, o introduziu no mundo artístico. O seu primeiro papel foi como figurante para o programa “Papa Tudo”, com César Filho e Luiz Ricardo. Desde então, continuou a fazer figuração e não parou mais, já estando nesta área há quase catorze anos”.

Fez comercial para Internet, apresentando as linhas da Samsung e para a lavanderia 5a Séc. Segundo ela, “este trabalho é prazeroso, mas cansativo. Às vezes você levanta às 5 horas da manhã para gravar e a idade está pesando. Estou cheia de dores reumáticas, mas vou assim mesmo e durante a gravação esqueço tudo. Nesta área também tem muita puxada de tapete e você não pode dar espaço para puxarem o seu. Derci Gonçalves, que tenho como referência, foi enterrada de pé”.

Entre os seus trabalhos mais conhecidos, está um comercial com o Tom Cavalcanti. Atualmente, participa das pegadinhas do Silvio Santos e de um novo programa que irá ao ar pela Rede TV. Também fez ponta em teatro, falas em novela da TV Record; participou da novela “Bárbara”, no SBT, como esposa de um médico e fez o final do filme “Só Deus é quem Sabe”, que já esta nas locadoras.

Quanto ao trabalho nesta área, afirma: A concorrência é muito grande, não se pode faltar, exige muita disciplina, principalmente com horário. Também dentro desta área o pessoal da terceira idade é muito respeitado pelos contratantes. Posso citar o pessoal do Banco Real, agência do Trianon, em que eles me tratam com o maior carinho. O trabalho é de free-lance. Não tem carteira assinada. Para os jovens que começam cedo, o primeiro passo é procurar o Sindicato, pois se não tiver um DRT nada se consegue.

E Maria conclui: As portas estão abertas para a terceira idade. Basta procurar as agências, ser humilde, sem humildade não se consegue nada e encarar os desafios até mesmo na dor, levantar a cabeça e ir em frente. Nunca senti dificuldade para arranjar trabalho nesta área. Fazer comercial é só alegria, você tem o reconhecimento do público, me sinto como a rainha Elizabeth.

Gerson Costa Curta, aos 72 anos, se define como um caipira brincalhão que não gosta de tristeza. Nasceu em Presidente Bernardes no seio de uma numerosa família italiana, de 10 filhos: Meu pai tinha um bar e sorveteria no bairro de Vila Nova. Lá passei a minha infância, estudei, freqüentei o ginásio e, em 1951, quando estava com 15 anos, viemos para São Paulo. Quando chegamos aqui, aquele entusiasmo de caipira na cidade grande transformou-se em decepção. Imaginava São Paulo um espetáculo e o que vi foi barro e terra, coisas que tinha na minha cidade. O primeiro negócio do meu pai foi um bar. Eu trabalhava na sorveteria, no bar e tomava conta das salas de jogos de truco, sinuca, bilhar. Quando ia ao clube era o palhaço da festa.

Em 1953, jogou futebol pela Johnson & Johnson. Trabalhou, por três anos, como mecânico de fiação. Retornou à Johnson, em 1956, como Inspetor de controle de qualidade e permaneceu por mais três anos na empresa. Começou então a ganhar dinheiro tirando fotografia, pois gostava de fotografar: Ajudei meu irmão na sua alfaiataria e me tornei seu sócio, afirma. Hoje, é aposentado e trabalha como corretor imobiliário e como free-lance em comerciais.

Na publicidade, já atua há 13 anos. Começou como locutor, incentivado pelos amigos, após ser aprovado em um teste. Fez cursos de dublagem, de teatro, mas sempre levando tudo na brincadeira. Em seu primeiro papel no teatro, na Praça 13 de Maio, interpretou dois personagens numa mesma peça, onde entrava como Vinicius de Moraes e saía como Adoniran Barbosa. Foi durante esta peça que o diretor pediu uma foto sua para trabalhar com comercial de televisão. A Agencia Ópera o contratou para fazer um turista americano. Depois, fez figuração no SBT com Silvio Santos, pegadinha com a Kelly Ki, Kelly Cristina, Trio Los Angeles. Nas novelas, atuou como padre no “Sangue do Meu Sangue” e na “Belíssima” entre outras. Agora, só faz comerciais.

A sugestão para quem quer entrar nesta área: primeiramente, tem que gostar, ter tempo, muita paciência, muitas fotos, porque sem material não adianta dar cartilha. Experiência de vida o pessoal da terceira idade tem, eles já trazem consigo uma bagagem.

Segundo ele, os que querem abraçar esta área devem seguir a cartilha de Stanislavski, que diz: todo o bom ator ou atriz tem que se expressar com os olhos, nariz, boca com a testa, sobrancelha, corpo e não gesticular muito fora do personagem, para não virar interpretação mecânica.

Gerson defende uma atuação muito atenta do Sated sobre as agências, principalmente no que diz respeito aos testes, pois muitas agências desrespeitam os cachês estipulados para essas atividades. Segundo ele, isto aconteceu após o final da emissão de guias pelo Sindicato.



 

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Entenda o que é o Estresse

Inúmeras situações da vida cotidiana, nas grandes cidades, podem causar o estresse, em função de um acúmulo de ansiedades: desde o trânsito, até problemas de ordem pessoal, econômica, profissional e familiar, além da correria do dia a dia. Também há quadros de estresse conseqüentes do uso de substâncias psicotrópicas (álcool, remédios e drogas) ou de doenças orgânicas. Enfim, há diversas causas para o estresse.

Situações em que o sujeito se sente sobrecarregado são algumas das causas mais freqüentes de estresse. As situações de sobrecarga podem ser geradas por questões difíceis e desafiadoras ou, ainda, por eventos que podem ser interessantes e positivos, mas que geram gastos de energia, como por exemplo: fazer uma compra ou aluguel de imóvel, organizar o próprio casamento, a constituição de uma família, a gravidez, mudança de trabalho etc.

Há alguns sinais e sintomas simples, que podem ser representativos dos quadros de estresse: redução da produtividade, cansaço, distrações, faltas na escola ou no trabalho. Há, contudo, sintomas mais sérios: insônia, irritabilidade, sensações de grande desprazer, desinteresse e monotonia nas atividades cotidianas. Segundo Dr. Fernando Tavares de Lima, psicólogo do NETPSI: “Na realidade, alguns desses sinais são absolutamente comuns na vida de todos nós, podendo advir de diversos quadros (mesmo situações que não caracterizam nenhum tipo de doença); mas, quando não estão isolados, podem ser bastante incapacitantes e estressantes”.

Apenas um profissional da área da psicologia ou medicina pode avaliar a situação clínica e perceber se o quadro desenvolvido pela pessoa é proveniente de um diagnóstico de estresse, ou se trata de uma condição mais comum da vida.

A idéia de mudança dos hábitos é bastante comum e correta, quando se pretende diminuir o nível do estresse. A questão é que nem sempre isso é simples ou fácil de ser atingido: melhorar a alimentação, a quantidade e qualidade do sono, ingerir menos bebidas alcoólicas, cafeína, fumar menos ou não fumar, fazer esportes com regularidade, ter uma vida afetiva e sexualmente saudável, passear e viajar, além de outras formas de lazer, tudo isso é útil e necessário para combater os acúmulos de energia que geram o estresse.

Mas, há momentos em que se necessita de auxílio mais específico, como o de um psicólogo. Repensar a vida, observar o que se passa, dividir as angústias, ouvir as avaliações de um profissional, isso é de extrema importância. Algumas vezes, além da psicoterapia, pode ser útil um tratamento medicamentoso. Todavia, ressaltamos que não se deve tomar remédio de forma leviana, sem que haja, realmente, a recomendação feita por um médico capacitado. Enfim, busque mais informações, não deixe que o estresse cresça e procure um especialista.

Caso você perceba que está com alguns desses sintomas, não se desespere e nem tente resolver as coisas por conta própria, se auto-medicando. Não há demérito algum em procurar um profissional qualificado para conversar a respeito e encaminhar, da melhor forma, a questão.

Artigo preparado para o Departamento de Saúde do SATED/SP pelo Netpsi – Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia.

- www.netpsi.com.br
- netpsi@netpsi.com.br
CRPJ 3513


 

 

 

PAGINA 7

 

A pauta Ocupação Teatral
Reúne profissionais da Arte

Depois de participar por mais de um mês de um Seminário patrocinado pelo Sindicato dos Jornalistas para discutir as leis de incentivo cultural e capacitar profissionais da imprensa e do mundo artístico a usarem estes mecanismos, o ator e produtor Amilton Ferreira procurou o SATED/SP, tentando encontrar um parceiro que acolhesse um projeto de pesquisa e eventual ocupação de espaços culturais na cidade. Terminou não somente sendo acolhido, mas encontrando na entidade, através do diretor Iremar Mello, o parceiro decidido para a conquista dos objetivos.

O Grupo e o Projeto
Formado por profissionais atores, diretores teatrais, captadores, produtores, assessores, consultores, formatadores de projetos, divulgadores de peças teatrais, gestores culturais, etc., o grupo se reúne, desde meados de maio no Sated, todas as segundas feiras. Segundo Iremar, cerca de 50 pessoas participam das reuniões que, em seu conjunto, já ouviu a opinião de mais de 500 profissionais.

Denominado de APLAUSO, o projeto engloba as seguintes etapas dentro do processo de ocupação: mapeamento de espaços culturais abandonados (teatros de escolas, clubes, associações, sindicatos, etc.); a “ocupação” propriamente dita com as seguintes vertentes: administração, integração, circulação, comercialização, divulgação, capacitação, sociabilização, auto-sustentabilidade, sinalização, revitalização, readequação e interlocução.

As discussões preliminares apontaram o caminho da “ocupação” após a constatação de que, apesar de tantos espaços ociosos nos bairros, as pequenas companhias e artistas independentes não conseguem espaços para se apresentar. Por trás dessa dificuldade está o fato de que os administradores teatrais são só empresários e não agentes culturais e encaram o espaço teatral como um negócio que deve dar lucros. Sem qualquer romantismo, os componentes do projeto entendem que as atividades precisam gerar lucros, até porque antes de serem artistas são cidadãos que pagam aluguel, têm despesas de locomoção, de alimentação, vestuário, etc. Mas os gastos com a locação teatral têm de ser compatíveis com a renda gerada pois, quando o espetáculo estréia, o produtor já está com dívidas advindas do aluguel do próprio teatro, artistas, figurinos, cenários, divulgação e outros.

A questão das pós-ocupação também tem rendido um bom debate, já que ocupação pressupõe sociabilização não só do próprio local como também do entorno. Para ter sustentabilidade, é preciso que a comunidade em que o espaço está inserido adote a idéia e se veja representada ali, não apenas por freqüentar os espaços, mas por encontrar neles os grupos locais e se identificar com a temática apresentada.

Um outro ponto que está sendo discutido é a divulgação, um dos grandes gargalos na produção teatral. De um modo geral, a chamada grande imprensa só divulga as peças apresentadas em grandes teatros, por grandes companhias e atores/atrizes conhecidos (veja matéria, neste número, com o produtor Gerardo Franco). Além do mais, os preços de anúncio desses veículos é proibitivo e fora do alcance dos pequenos. A lei “cidade limpa”, ao vetar a colocação de faixas e cartazes, dificultou ainda mais a divulgação. E todos já entenderam que não basta apenas ter um bom espetáculo com ótimos atores. O principal é que o público saiba que este espetáculo está sendo encenado.

Os interessados em participar do projeto podem se informar através do blog www.ocupacaoteatral.zip.net ou entrarem em contato com o Iremar Mello (3335-6133) ou Amilton Ferreira, tels. 3869-9554, 2983-5676 ou 8787-6187.

 

 

 

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Campanha Visão

Prosseguindo com o seu objetivo de prestar uma gama de serviços cada vez mais aprimorada aos seus associados, o SATED realizou em sua sede social, no último dia 27 de julho, em parceria com a Clínica Nova Visão, um trabalho de medição da acuidade visual dos artistas. Segundo relatório encaminhado pela clínica ao nosso Departamento de Saúde, das 32 pessoas examinadas, 13 não apresentavam qualquer problema de visão, 3 já haviam passado por oftalmologistas este ano e 16 foram encaminhadas à clínica, onde realizarão exames mais aprofundados com oftalmologistas. Na foto, associado é examinado dentro da campanha.

 

 

Audiências e assembléia

Prosseguindo com suas atividades de representação da categoria e luta em defesa de seus interesses, o nosso Departamento Jurídico participou, no mês de Julho, de três audiências realizadas no Tribunal Regional do Trabalho – TRT – 2ª. Região. A primeira audiência foi com os representantes patronais do segmento de Artes Cênicas (atores/atrizes de teatro e circo). A segunda audiência pôs frente a frente os nossos diretores e advogados e os empresários do segmento de Audiovisuais, aí compreendido cinema e publicidade. Finalmente, a terceira audiência tratou dos interesses dos trabalhadores (manequins) em feiras e eventos. Em todos os três casos, as tentativas de conciliação, por recusa do patronato em reajustar as tabelas salariais, chegaram a um impasse e, agora, devem ir a julgamento.
Também no mês de Julho os artistas em Dublagem aprovaram em assembléia do segmento a nova pauta de reivindicação que, agora, deverá ser negociada com a parte patronal. Entre os itens da pauta, está pedido de reajuste de 12%. Vale lembrar que a reivindicação é mais do que justa, já que os trabalhadores em dublagem estão sem reajuste de suas tabelas há dois anos, por intransigência patronal.

 

 

 

São Paulo,