Marcelinho pede desculpa aos artistas
No dia 3 de agosto, Marcelinho Carioca fez uma declaração à imprensa que incomodou os artistas e também os bancários, que foram citados como profissionais que sofrem menos pressão para trabalhar. Depois de receber vários e-mails de artistas que reclamaram da declaração do jogador do Corinthians, O SATED-SP encaminhou carta à imprensa pedindo a sua retratação. Marcelinho respondeu à carta do SATED-SP, que o desculpou em outra carta, enfatizando o convite para que o craque compareça ao lançamento da pedra fundamental do terreno em que será construído o Solar dos Artistas em Mairiporã. Publicamos as cartas a seguir:
A PRIMEIRA CARTA DO SATED-SP
“Como presidente do SATED/SP – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo –, fazendo eco aos inúmeros e-mails que recebemos, não posso deixar de expressar minha tristeza pelas palavras proferidas pelo Marcelinho Carioca no programa Globo Esporte, do dia 03 próximo, passado. Tristeza, porque sei que o preconceito é a base da violência que impera hoje no mundo e no nosso Brasil. E você, Marcelinho, tão querido por todos, não pode se deixar levar por atitudes preconceituosas ditadas pelo seu desconhecimento de duas profissões -- artistas e bancários -- que trabalham sempre no "limite" da pressão emocional que um ser humano pode suportar. Faça uma visita ao nosso Sindicato, conheça um pouco da nossa história e dos problemas enfrentados por artistas e técnicos no seu dia-a-dia profissional. Tenha a certeza de que você será bem recebido e que mudará sua opinião quando nos conhecer. Um abraço carinhoso da corintiana Ligia”.
Ligia de Paula Souza, presidente do SATED-SP
A RESPOSTA DE MARCELINHO CARIOCA "Caros amigos do Sated,
Gostaria de repetir diretamente a vocês tudo o que eu disse à imprensa, ontem (06/08), na entrevista coletiva após o jogo contra o Atlético-PR. Em momento algum tive a intenção de ofender ou menosprezar quem escolheu como profissão a arte do teatro. Assim como o futebol, o teatro envolve pressão por resultados, paixão, entrega e inúmeros outros itens que fazem parte do dia-a-dia do ator, jogador de futebol, diretor, treinador e todos os profissionais envolvidos nesses dois universos. O que eu quis dizer, quando afirmei que os jogadores que não estivessem suportando a pressão que fossem trabalhar em banco ou fazer curso de teatro, foi primeiramente mexer com os brios deles. A referência à profissão de vocês foi apenas uma forma de ilustrar outras profissões que não sofrem a mesma pressão que um atleta de futebol. Sei que todas as profissões sofrem a pressão por resultados, já que nosso mercado de trabalho está cada dia mais competitivo. Mas nós, atletas, somos os protagonistas da principal paixão nacional, o futebol, e temos todas as lentes voltadas para nós o tempo todo. Não temos direito de errar. Quando as coisas não vão bem em campo sofremos muitas vezes atos de violência por parte dos torcedores. Além disso, o volume de dinheiro e o número de pessoas envolvidas em cada evento é enorme.
No entanto, entendo que posso não ter me expressado com clareza e, por isso, peço desculpas. Sou fã e incentivador do teatro, respeito muito os profissionais que nos fazem rir, chorar e se emocionar de todas as formas num palco. Repito que nunca tive a intenção de ofender ninguém e volto a expressar toda a minha admiração pelo trabalho de vocês. Agradeço pela forma carinhosa com que me trataram no e-mail anterior e espero um dia poder conhecer mais a fundo este universo fascinante que é o teatro. Um abraço à Lígia, a todos do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões e aos demais profissionais de teatro do Brasil.”
Marcelinho Carioca, jogador
A SEGUNDA CARTA DO SATED-SP E O CONVITE
"Caro Marcelinho
Como atleta e, principalmente, cidadão, você foi brilhante como sempre. Driblou, chutou e gol, pois só quem é brilhante é que sabe reconhecer um erro e ter a grandeza de se explicar. Estamos plenamente satisfeitos com a sua explicação. Tão satisfeitos que gostaríamos de convidá-lo para o lançamento da pedra fundamental do Solar dos Artistas, um espaço que deverá abrigar os artistas e técnicos paulistas na velhice. Infelizmente, a maioria do nosso pessoal não chega a usufruir de uma aposentadoria, pois, ao não ter um emprego regular, não consegue contribuir para o INSS. E, de tanto ver nossos colegas se transformarem na velhice em "sem-teto", resolvemos arregaçar as mangas e construirmos um lar para quem nos emocionou na vida.
Vamos colocar sua carta no nosso site e mantê-lo informado da nossa campanha. Um beijo carinhoso”,
Ligia de Paula, presidente do SATED/SP
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